Guia dos Pronomes

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É extremamente importante, para que se penetre no texto, uma noção segura dos recursos de que a língua dispõe para estabelecer a coesão textual. Aliás, esse termo é ainda mais amplo: qualquer vínculo estabelecido entre as palavras, as orações, os períodos ou os parágrafos podemos chamar de coesão.

Toda palavra ou expressão que se refere a coisas passadas no texto, ou mesmo às que ainda virão, são elementos conectores. Os termos a que eles se referem podem ser chamados de referentes. Muita atenção, pois, com os conectores. Abaixo, veja um elemento responsável pela coesão textual:

Pronomes indefinidos

Ex.: Naquela época, os homens, as mulheres, as crianças, todos acreditavam na vitória.

todos = homens, mulheres, crianças

Pronomes relativos

Ex.: Havia ali pessoas que me ajudavam.

que = pessoas

No caso do pronome relativo, o seu referente costuma ser chamado de antecedente.

Pronomes interrogativos

Ex.: Quem será responsabilizado? O rapaz do almoxarifado, por não ter conferido os materiais.

Quem = rapaz do almoxarifado

Pronomes demonstrativos

Os demonstrativos estão entre os mais importantes conectores da língua portuguesa. Freqüentemente se criam questões de interpretação ou compreensão com base em seu emprego. Veja os casos seguintes.

a) O filho está demorando, e isso preocupa a mãe.

Isso = O filho está demorando.

b) Isto preocupa a mãe: o filho está demorando.

Isto = o filho está demorando.

Parecidos, não é mesmo? A diferença é que isso (esse, esses, essa, essas) é usado para fazer referência a coisas ou fatos passados no texto. Isto (este, estes, esta, estas) refere-se a coisas ou fatos que ainda aparecerão. Embora se faça uma certa confusão hoje em dia, o seu emprego adequado é exatamente o que acabamos de expor.

c) O homem e a mulher estavam sorrindo. Aquele porque foi promovido; esta por ter recebido um presente.

Aquele = homem

esta = mulher

Temos aqui uma situação especial de coesão: evitar a repetição de termos por meio do emprego de este (estes, esta, estas) e aquele (aqueles, aquela, aquelas). Não se usa, aqui, o pronome esse (esses, essa, essas). Com relação ao exemplo, a palavra aquele refere-se ao termo mais afastado (homem), enquanto esta, ao mais próximo (mulher). Semelhante correlação também pode ser feita com numerais (primeiro e segundo) ou com pronomes indefinidos (um e outro).

OS PRONOMES PESSOAIS E A FUNÇÃO DE OBJETO DIRETO E INDIRETO

Pronomes Pessoais são conectivos usados para substituírem substantivos. Em exames públicos e vestibulares é comum o emprego acentuado de pronomes em textos. O uso de pronomes possibilita questões de semântica, de emprego e de colocação pronominal. Vejamos:

Leia o texto que segue para responder às questões 01 e 02:

A rotina e a quimera

Sempre se falou mal de funcionários, inclusive dos que passam a hora do expediente escrevinhando literatura. Não sei se esse tipo de burocrata-escritor existe ainda. A racionalização do serviço público, ou o esforço por essa racionalização, trouxe modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições, e é de crer que as vocações literárias manifestadas à sombra de processos se hajam ressentido desses novos métodos de trabalho. Sem embargo, não se terão estiolado de todo, tão forte é, no escritor, a necessidade de exprimir-se, dentro da rotina que lhe é imposta. Se não escrever no espaço de tempo destinado à produção de ofícios, escreverá na hora do sono ou da comida, escreverá debaixo do chuveiro, na fila, ao sol, escreverá até sem papel – no interior do próprio cérebro, como os poetas prisioneiros da última guerra, que voltaram ao soneto como uma forma que por si mesma se grava na memória.

E por que se maldizia tanto o literato-funcionário? Porque desperdiçava os minutos do seu dia, reservado aos interesses da Nação, no trato de quimeras pessoais. A Nação pagava-lhe para estudar papéis obscuros e emaranhados, ordenar casos difíceis, promover medidas úteis, ouvir com benignidade as “partes”. Em vez disso, nosso poeta afinava a lira, nosso romancista convocava suas personagens, e toca a povoar o papel da repartição com palavras, figuras e abstrações que em nada adiantam à sorte do público.

É bem verdade que esse público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova do poeta ou no mundo imaginado pelo ficcionista. Mas, sem gratidão especial ao autor, ou talvez separando neste o artista do rond-de-cuir, para estimar o primeiro sem reabilitar o segundo.

O certo é que um e outro são inseparáveis, ou antes, este determina aquele. O emprego do Estado concede com que viver, de ordinário sem folga, e essa é condição ideal para bom número de espíritos: certa mediania que elimina os cuidados imediatos, porém não abre perspectiva de ócio absoluto. O indivíduo tem apenas a calma necessária para refletir na mediocridade de uma vida que não conhece a fome nem o fausto; sente o peso dos regulamentos, que lhe compete observar ou fazer observar; o papel barra-lhe a vista dos objetos naturais, como uma cortina parda. É então que intervém a imaginação criadora, para fazer desse papel precisamente o veículo de fuga, sorte de tapete mágico, em que o funcionário embarca, arrebatando consigo a doce ou amarga invenção, que irá maravilhar outros indivíduos, igualmente prisioneiros de outras rotinas, por este vasto mundo de obrigações não escolhidas. (…)

                                                      Carlos Drummond de Andrade. Passeios na ilha. In: Poesia completa e prosa Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 841.

[EXERCÍCIO 01] Julgue os itens a seguir.

  • a) No fragmento “que voltaram ao soneto” (linha.7), o vocábulo “que “ tem como referente “última guerra” (linha.7).
  • b) Em “A Nação pagava-lhe para estudar papéis” (linha.10), o vocábulo “lhe” tem como referente “o literato-funcionário” (linha.9).
  • c) Em “ouvir com benignidade as ‘partes’ “(linha.11), o vocábulo “partes” tem como referente “quimeras pessoais”( linha.10).
  • d) O vocábulos “primeiro” (linha.16) e “segundo” (linha.16) tem como referentes “poeta” (linha.14) e “ficcionista” (linha.15), respectivamente.
  • e) O vocábulos “este” e “aquele” (linha.17) tem como referentes “rond-de-cuir” (linha.15) e “artista” (linha.15), respectivamente.

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E C E E C

[EXERCÍCIO 02] Quanto à correção da substituição do fragmento sublinhado por pronome, apresentada no trecho em negrito, julgue os seguintes itens.

  • a) “A racionalização do serviço público (…) trouxe modificações sensíveis ao ambiente de nossas repartições” (linha.2-3) / A racionalização do serviço público ( …) trouxe-lhas
  • b) “Porque desperdiçava os minutos do seu dia, reservado aos interesses da Nação, no trato de quimeras pessoais” (linha.9-10) / Porque os desperdiçava no trato de quimeras pessoais
  • c) “e toca a povoar o papel da repartição com palavras”(linha.12) / e toca a povoá-lo com palavras
  • d) “É bem verdade que esse público, logo em seguida, ia consolar-se de suas penas na trova do poeta” (linha.14) / É bem verdade que esse público, logo em seguida, ia consolar-se delas na trova do poeta
  • e) “sente o peso dos regulamentos, que lhe compete observar ou fazer observar” (linha.20-21) / sente-lhe o peso

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C C C C E

Enquanto os pronomes pessoais do caso reto, geralmente, exercem a função de sujeito, os pronomes pessoais do caso oblíquo funcionam como complementos verbais. Os pronomes oblíquos o / a / os / as / me / te / se / nos / vos podem funcionar como objeto direto. Porém, o pronome “lhe(s)” funciona como objeto indireto. Os pronomes em negrito também podem exercer a função de objeto indireto, dependendo da regência do verbo.

a) Encontrei-as ao passar pela esquina. [ objeto direto ]

b) Vi-os preocupados. [ objeto direto ]

c) Não lhe disseram a verdade. [ objeto indireto ]

d) Obedeço-te. [ objeto indireto ]

e) Vi-te. [ objeto direto ]

f) Deu-se ares de imponente. [ objeto indireto ]

g) Ele feriu-se. [ objeto direto ]

h) Vi o rapaz que saiu cedo. [ Vi-o ] * O pronome em negrito no colchete representa o termo grifado.

i) Ofereci o livro ao amigo. [ Ofereci-o ao amigo ]

j) Ofereci o livro ao amigo. [ Ofereci-lhe o livro ]

k) Ofereci o livro ao amigo. [ Ofereci-lho ] * O pronome em negrito representa os termos grifados

O que é OBJETO DIRETO INTERNO?

Denominação dada ao complemento representado por uma palavra que possui o mesmo radical do verbo ou apresenta a mesma característica significativa:

a) Morreu morte natural.

* A espontaneidade do verbo MORRER é ser intransitiva. Todavia, por termos empregado o substantivo “morte” – que traz a idéia já contida na palavra verbal – o verbo MORRER deixa de ser intransitivo e, de fato, passa a ser transitivo direto. Todas as vezes que um verbo intransitivo apresentar um substantivo que expresse a idéia que o próprio verbo já comunique, não teremos mais uma intransitividade, mas uma transitividade direta, constituindo um pleonasmo na estrutura sintática do período.

b) Dormiu o sono dos justos e corajosos.

c) Chorava lágrimas de felicidade.

d) Ventava o vento da morte.

O que é OBJETO DIRETO e OBJETO INDIRETO PLEONÁSTICOS

É a dupla ocorrência da função sintática dos complementos verbais na mesma oração, a fim de enfatizar o significado do termo em referência.

a) As crianças, amo-as bastante.

* O segundo termo em negrito é o pleonasmo. Temos um objeto direto pleonástico, pois o pronome oblíquo representa “As crianças” – que já exerce a função de objeto direto. O pleonasmo é usado para destacar o objeto direto que o emissor usara.

b) Ao pobre, não lhe devo.

c) Ao comerciante, paguei-lhe a dívida.

d) Ao diretor a quem me referi, à semana passada, dei-lhe as devidas atenções.

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